O Cocktail estreou-se no salão Motobike-2013, em Kiev — mas nessa primavera os holofotes pertenciam ao Fetish, o nosso projeto no campeonato mundial de custom-building. O bagger branco esperou a sua vez sem pressa, e o momento chegou em setembro, quando a revista ucraniana Motodrive lhe dedicou quatro páginas. Por baixo está uma Harley-Davidson Street Glide FLHX de 2008; por cima, tudo o que um bagger deve ser. Construído na nossa oficina de Kharkiv, no tempo em que a Iron Custom Motors ainda se chamava I.C.M.
Um cocktail em branco e vermelho
O nome explica a pintura, e a pintura explica o nome. A aerografia lê-se como camadas de líquidos a misturarem-se umas nas outras. A base é branca, atravessada por uma única linha de vermelho saturado: nasce no guarda-lamas dianteiro, separa os elementos aerografados, transforma-se numa costura real de fio vermelho sobre o banco e termina na inscrição "Cocktail" na traseira. Yaroslav Lutytskyi, fundador da oficina, desenvolveu o design de ponta a ponta; o Dmitriy Dmitriev Studio executou depois a pintura segundo o seu desenho, com rigor profissional.
A construção
O motor é o lendário Twin Cam 96 — 1584 cc, com a caixa de seis velocidades de série — num pacote completo de cromados: o conjunto montado parece ter sido mergulhado inteiro num banho de cromagem. Respira por um escape Screamin' Eagle.
Um bagger precisa da sua grande roda dianteira: uma jante fundida SMT de 3,75×26", com pneu The Monster 120/50-26 e um par de discos de travão SMT, enquanto atrás se mantém a roda de série de 5,5×16". A forquilha Harley-Davidson assenta em mesas Mean Machine, e o farol LED é uma peça de produção da Harley-Davidson — casá-lo com aquelas mesas deu trabalho a sério. O guiador é da Fred Kodlin Motorcycles, com até os botões cromados; os pousa-pés e a caixa do filtro de ar vieram da Arlen Ness, a condizer com o motor cromado.
O depósito é uma peça Paul Yaffe, retrabalhada na oficina, com um banco encomendado no mesmo estilo à Sinelnikov Design, em pele Nappa. Enquanto a pele era feita, retrabalhámos o guarda-lamas traseiro e afinámos o dianteiro. As malas partiram de bases de série, alongadas 10 cm e alargadas 5 — mais práticas do que as originais —, com iluminação LED, óticas traseiras Hella retrabalhadas e altifalantes a sério.
A andar sobre ar
A suspensão traseira é uma Legend Air Ride — o air ride é uma verdadeira assinatura de bagger. Preserva a linha contínua da carroçaria e melhora de facto o conforto. O kit assentou como se fosse de origem e funciona com precisão.
O sistema de som
O áudio foi feito puramente para a alma. Nas malas alargadas vivem altifalantes coaxiais Sony Marine, com a potência deliberadamente limitada — receávamos que as malas não sobrevivessem aos decibéis a fundo, já que cada uma carrega ainda um par de amplificadores Sony. O rádio, também Sony Marine, entrou no enorme painel frontal depois de uma longa procura: pouca coisa combina com o estilo tecnológico dos mostradores digitais Dakota, mas os pratos dos altifalantes, os poços dos indicadores, os mostradores e o painel do rádio acabaram por se compor surpreendentemente bem. A iluminação LED de acento percorre a mota inteira — um charme especial à noite, e mais visibilidade também. Como diz o Yaroslav: "Quando ando com a música ligada, o trânsito para." Nem todas as escoltas oficiais conseguem o mesmo.
O resultado
Mesmo sem música, o Cocktail chama a atenção: o ronco dos escapes Screamin' Eagle é a verdadeira voz da América. Afinal, uma Harley de turismo pode carregar uma identidade full custom sem perder um grama do seu propósito.